GERAL

Vendas mais aceleradas

Inauguração de concessionárias, oferta de produtos, alongamento de prazos de pagamento de financiamentos e consórcio, dentre outros fatores fazem o interior do Estado festejar: as motocicletas viraram objeto de desejo.

Ano passado, 1.300.000 motos foram vendidas no Brasil, um crescimento 32% superior a 2006. Segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), até 2013 projeta-se que 4 milhões de motos estejam sendo produzidas por ano no País. Os fatores para esse crescimento: estabilidade econômica, facilidade de crédito, maior prazo, ampliação da oferta de produtos e de serviços como motofrete/mototáxi.

As autorizadas comemoram. Um exemplo bem sucedido é a Araripe Motos Honda, de Juazeiro do Norte. Com crédito próprio para oferecer aos clientes, amplo espaço na oficina e show room, a concessionária tem 40 pontos de vendas na região do Cariri e a média de vendas mensal é de 700 motos, a maioria de baixa cilindrada.

Se fabricantes como a Honda e Yamaha já estão estabelecidos na capital e interior, novas marcas estão chegando com toda a força. É o caso da Traxx, que já tem mais de cinco anos de mercado e que está abocanhando boa parte das vendas, ao lado da Suzuki, Sundown, Shineray, dentre outras marcas.

O diretor da Terra Motos, Luiz Sobreira, que abriu há 6 meses uma concessionária Traxx em Juazeiro do Norte está bastante satisfeito com o negócio, apesar da forte concorrência, principalmente no final do ano passado, quando novas marcas se instalaram na região. “Acreditamos que com um bom trabalho na área comercia e com o setor de pós vendas, iremos nos destacar”, avalia.

A forma de pagamento predominante é o consórcio, ao contrário da capital, onde os financiamentos dominam. “Muitas pessoas buscam o consórcio, pois têm o sonho de adquirir a moto, e ao mesmo tempo estão fazendo uma poupança forçada. Ao fazer um consórcio de 60 meses, a pessoa tem que acreditar que aquela empresa estará em funcionamento daqui a 60 meses. No passado várias marcas entraram no mercado, e com menos de um ano saíram”, lembra.

No caso da Traxx as parcelas do consórcio chegam a 60 meses, onde ao ser sorteado, o cliente recebe o bem quitado, não tendo que pagar as parcelas seguintes. Sobreira adianta que estão abrindo mais três concessionárias com o nome Terra Motos e bandeira Traxx. Sobral, em agosto, e Itapipoca e Tianguá no final do mês de setembro.

Falta conscientização e fiscalização

Basta uma visita por alguma cidade do interior e constatar: é grande a quantidade de motos para enfrentar as pequenas distâncias. A economia ganhou, mas por outro lado o trânsito aumentou. Como a fiscalização é menor, muitos resistem a usar o capacete, da mesma forma que algums motoristas resistem a usar o cinto de segurança. O mototaxista Leonardo Franco, que trabalha no Crato, usa o capacete, mas nas pequenas corridas dispensa. “O calor incomoda”, reclama. Para o presidente da Associação de Psicólogos do Trânsito do Ceará, Wagner Paiva Queiroz, que há mais de 16 anos trabalha na área, existe uma carência de campanhas educativas para conscientização. “O primeiro passo seria esse, depois a fiscalização rigorosa”, avalia. “A transformação de uma sociedade passa sempre pela educação, mas se não houver a frequência na divulgação fica mais difícil´. Sobre os engarrafamentos e a direção mais agressiva de parte dos motociclistas, o dirigente acredita que a solução deve ser também pela conscientização. “Acho que o poder público investe muito na sinalização, que é também importante, e o que faz de campanhas não é o suficiente para mudar o comportamento”. Ele cita que existem vias feitas exclusivamente para motocicletas e bicicletas em vários países na Europa. “Por aqui, denúncias dizem que as ciclovias têm falhas e prejudicam os pneus”.

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