São Paulo, 11 de Junho de 2007 - Ritmo de negócio cresceu 27,6% no ano embalado por preços estáveis e longos prazos. As vendas de motocicletas vêm crescendo em acelerada velocidade. De janeiro a maio foram comercializadas no atacado 669.880 unidades, volume 27,6% superior a igual período do ano passado.
O grande impulso no mercado de motocicletas, segundo Moacyr Alberto Paes, diretor-executivo da Associação Brasileira de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), tem sido, entre vários fatores, o preço estável e a facilidade de financiamento. Enquanto o reajuste de preço do Gol 1.0 no período de 1994 a 2007 foi de 250%, acompanhado a inflação que foi de 259%, o das motocicletas de 125 cilindradas aumentou em 73% no período. "Além da opção de compra pelo sistema de consórcio, as fabricantes ainda oferecem planos sem entrada e com parcelas de até 72 meses. Com um pouco mais de R$ 100 por mês é possível comprar uma motocicleta hoje", diz o diretor da Abraciclo.
Com base nos dados dos cinco meses do ano, em que as vendas já superaram as expectativas das fabricantes, a Abraciclo fará no segundo semestre uma revisão das projeções para 2007, informou o diretor da associação sem antecipar o índice de crescimento. Até agora, a expectativa é que o setor feche o ano com uma produção de 1,6 milhão de unidades (13,23% superior ao volume de 2006). Do total, 1,45 milhão de unidades serão vendidas no mercado interno e 150 mil no exterior.
De 1,268 milhão de motocicletas emplacadas em 2006, 7,1% foram no Norte, 22,1% no Nordeste, 42,3% no Sudeste, 19% no Sul e 9,6% no Centro-Oeste. Já os automóveis tiveram ano passado 4,8% de vendas na região Norte, 15% no Nordeste, 53,7% no Sudeste, 18% no Sul e 8,5% no Centro-Oeste.
Segundo a Abraciclo, a frota de veículos de duas rodas cresceu 590% na região Norte, 372% no Nordeste, 280,3% no Centro-Oeste e 191% na Sudeste.
Na lista de cidades com maior crescimento da frota, São Paulo está na frente. Segundo a Abraciclo, nos últimos seis anos o número de motos na capital paulista aumentou 80%.
No ranking mundial, o Brasil está entre os cinco maiores fabricantes de motocicletas. A disputa no País se dá entre a Honda, que tem 82% de participação, a Yamaha (12,7%), a Sundown (4,7%), a Kasinski (0,3%) e a Harley-Davidson (0,1%). Mas, há outros pretendentes. Além das japonesas Suzuki e da AVA Kavazaki,que já estão com projetos aprovados para iniciar produção em Manaus, há no páreo as chinesas Traxx, Haobao, Jimmy e as brasileiras Amazonas Motos Especiais (AME), Dafra (do grupo Itavema) e a Garini Motor, do Grupo Itapemirim.
Motor flex fuel
Outro fator, que poderá impulsionar este mercado de motos é a tecnologia flex fuel - que hoje equipa 82% dos veículos vendidos no País. É que em 2009 entra em vigor no País nova lei de emissões de poluentes. Segundo o Programa de Controle da Poluição do Ar (Proconve), com a nova norma as motocicletas reduzirão o índice de emissões de monóxido de carbono de 5 para 2 gramas por quilômetro rodado.
A Delphi já tem pronta a nova tecnologia, atualmente em testes na sua fábrica de Piracicaba, no interior paulista.
"É o primeiro sistema flex fuel sem reservatório de gasolina", diz Luiz Corrallo, vice-presidente da divisão PowerTrain para a América do Sul. "A indústria de motos já tem a experiência em motos a álcool e agora se prepara para usar o bicombustível", conclui.
Fonte: Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3(Sonia Moraes)
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